Proposição artística: O Rei Leão, On Broadway- Cuiabá

Fotografia: Tec Arte

Lembro que a primeira vez que vi a animação O Rei Leão, me encantou a leveza com que apresentava os elementos da trama familiar. A savana africana, habitada por leões, hienas e suricates, cenário para o invejoso vilão, que mata seu próprio irmão para lhe tomar o lugar de rei, demarcava um território de fronteiras borradas entre cinema, música e animação.

Me causando igual comoção, a montagem adaptada do musical por Rafael Cerigato, para o elenco do “On Broadway”, surpreendeu pela qualidade coreográfica e exuberância das cores e maquiagem. Com um figurino criativo, concebido e confeccionado pelo próprio elenco, os personagens preencheram o palco, estabelecendo uma troca de experiências de arte e vida com a plateia. O roteiro, as cenas, a dramaturgia, e a construção dos personagens, inspirados na trilha sonora de Hans Zimmer, com canções compostas pelo cantor Elton John em parceria com o compositor Tim Rice, reservou de imediato ao espetáculo musical “O Rei Leão”, um lugar de destaque na cena mato-grossense. Admirável ousadia de Rafael Cerigato, Robson Oliveira e Sérgio Lacerda em produzir, com poucos recursos, um espetáculo repleto de originalidade nas formas dançadas, alegre em seu formato educativo e fluído em seu desenho dramatúrgico.

Mufasa, Scar, Simba, Nala, Timão e Pumba, em destaque, foram apreciados pelas crianças de escolas públicas de Várzea Grande, e receberam torcidas em prol do sucesso no decorrer da narrativa. O campeão? Richard Kennedy (no papel de Scar), queridíssimo professor dos espectadores mirins presentes, idealizador dessa ação educativa e propagadora de arte. Nos bastidores foi possível compartilhar com o elenco a emoção do fazer artístico para aquelas envolventes e calorosas crianças. Em vários momentos pude perceber os corações palpitantes e os olhos marejados dos artistas, arrebatados por emoções únicas.

Como espectadora fui surpreendida por cenas de tirar o fôlego, como sua abertura, ao som da canção “Ciclo da Vida” (todo o elenco), as atrapalhadas danças de Timão e Pumba (Nelson Freitas e Carolina Proença), a doce atuação de Nala (Malú Victorino e Natália Lins) e a precisa presença cênica de Simba (Isadora Carvalho e Rafael Cerigato). A utilização de recursos cenográficos e objetos cênicos possibilitou significações capazes de estimular imaginação, revelando a produção de uma obra de arte ampla, que abrigou o universo da dança, música e teatro. A readaptação da obra da Broadway, originária da animação da Disney, feita por artistas mato-grossenses levou ao palco do Teatro Zulmira Canavarros um espetáculo de talentos múltiplos.

Texto escrito para o Parágrafo Cerrado a partir da temporada de fim de ano da companhia On Broadway de musicais, em dezembro de 2017.

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