Proposição artística: Inhamor – Thereza Helena – Cuiabá (MT)

Por: Marcos Leque

Inhamor é um daqueles momentos que podemos associar com proteção e aconchego, tudo guardado num colo de mãe, de avó, de tia, de madrinha, de mulher.

Nesse espetáculo, a atriz Thereza Helena nos recebe cantando com a sua voz doce, calma e tênue, quase num sussurro sensorial que nos convida a adentrar no espaço íntimo de sua cozinha, prontamente aberta e receptiva. Onde os aromas e sabores nos remetem a um sentimento de saudosismo, alegria e paz.

O espetáculo descreve o carinho e cuidado que a mulher tem com o seu mundo circundante e que muitas vezes acaba deixando de lado a própria relação consigo mesma. Mesmo com sua delicadeza, diante de tantos sofrimentos, ela se faz forte, vence a barreiras impostas pela sociedade no que diz respeito aos padrões de beleza, aceitação do próprio corpo e conscientização como mulher.

Nesse espaço encontramos vários elementos que podem simbolizar existência, resistência e história de vida, como por exemplo: utensílios, cinta de arame e o preparo manual dos alimentos. Inseridos como símbolos no processo dão mais realismo à essa viagem permissível.

A artista também utiliza como metáfora o inhame, para descrever as particularidades que o corpo feminino tem, como sua singularidade e aflições. Ao descascar a Alocásia, nome científico dado a esse gênero de tubérculo, vai revelando o corpo com suas formas, curvas, “perfeições ou imperfeições”, que mesmo com suas labutas, nutre, alimenta, partilha seus saberes e ainda distribui amor e compaixão.

Ao final do encontro, a sensação que fica é de satisfação com o dever cumprido. Pois, partilhar a compaixão, o perdão e o amor em clima tão envolvente e afetuoso é um bálsamo para esses dias tão carentes de generosidade.

Texto escrito para o blog Parágrafo Cerrado, a partir da programação Aldeia Rosa Bororo, ocorrida no período de 06/10/2017 a 21/10/2017, no Sesc Rondonópolis.

 

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