Proposição artística: Ave – Diamond Crew em parceria com a Cia pessoal e Calm ( centro audiovisual Luiz Marchetti)

Música: Roberto Victório

por: Caio Ribeiro

A Ave é a possibilidade da palavra habitar um corpo. O bater das asas é no risco que faz a letra, é no corpo da bailarina. Palavra cheia, palavra voa. O percurso entre o voo da ave, o traço de Wladimir e o corpo dos bailarinos é o meio pela qual a palavra se manifesta.

            Um trabalho híbrido, que permite sensações híbridas. É palavra, é música, é vídeo, é letra, é corpo, é dança, é ave. A ave voa em direção a sua desconstrução, voo que desmancha alfabeto e arma voos de palavras, nos riscos do corpo de alguém que acompanha a letra quando entra em atrito com o papel.

            A Ave voa. Voa dentro de mim. Voa no antebraço dela. Voa enquanto a palavra é escrita na tela, na obra. Qual a cor da ave? Qual a cor da vida? O voo tem cor e cheiro. A Ave é o caminho para as antenas, todas elas, transmitindo a o voo da ave. E se houver a ave, haverá voo.  A ave voa para dentro do traço que escreve ave, e canta, e as outras aves em corpo-ninho, celebram.

            Ave é teto do olfato. E enche o corpo de palavras. Preenche o corpo com letras. Traduz a forma em movimento, a ave. Traduz o voo em instante. Voo que é escrito com músculo, com respiração. Ave voa enquanto os bailarinos escrevem ave na página da pele.

Texto escrito para o blog Parágrafo Cerrado, a partir da programação Afeto conexões em dança, ocorrida no período de 17/10/2017 a 22/10/2017, no Sesc Arsenal.

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