Proposição artística: Pequeno Príncipe Sensorial, com grupo Sensus (SP)

Por: Janete Manacá

Eu estava na fila e aguardava com certa ansiedade afinal, não era um encontro qualquer. Mas não podia ser tão egoísta e ir sozinha então, convidei a minha criança interior para ir comigo. Mau a convidei, senti a sua mãozinha segurar a minha. Respirei e agradeci. Foi a melhor companhia!

O encontro era com o Pequeno Príncipe: o menino dos cabelos dourados. Um misto de emoção e encantamento fez morada temporária em meu ser, num ritual de preparação para reviver a sua história.

E, de olhos vendados, o deserto se fez oásis e inebriou meu coração. Meu imaginário tornou-se um jardim e a rosa tão amada era parte integrante de mim.

O cheiro de trigo, o vento nos cabelos e a raposa com sua ternura, acabara cativando minh’alma, numa suave dança de celebração. Fiz de mim uma criança especial, como se fosse um complemento do menino real, que sabia que o amor só é complicado aos olhos opacos dos adultos quando cobertos pelo véu da ilusão.

Caminhando por entre a escuridão eu enxerguei a dimensão da eternidade nunca dantes experimentada. A finitude daquele instante, guiada pelas ternas mãos da inocência fez brotar sabedoria no meu silêncio.

Toques, cheiros e sons despertaram em mim um prazer suave e sutil na travessia do meu deserto interno. A comunicação se deu por meio da poesia e me permitiu descobrir um mundo diferente daquele concebido por gente grande.

A suave companhia daquela curiosa e amorosa criança transcendeu tudo que parecia inacessível no dia a dia e expulsou a insignificância impregnada no meu corpo.

Mas, infelizmente a viagem já prenunciava o fim do trajeto da vida e uma lágrima livre sobre a minha face rolou. A essência da rosa, agora, faz parte da minha filosofia. A criança que me acompanhara sorriu, piscou os olhinhos, agradeceu e se foi, feito sinfonia do entardecer.

Não há dúvida, uma sólida certeza ficou. Cada ser humano é único e infinito e vale apena amar. De pé agora estou, aplaudindo a harmonia do tempo fora do tempo que passou!

Texto escrito para o blog Parágrafo Cerrado, a partir da programação  Aldeia Guaná  no período de 02/09/2017 a 16/09/2017, no Sesc Arsenal.

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