No dia 19 de junho, iniciaram-se as apresentações do Festival Palco Giratório, no interior de Mato Grosso. Neste dia apresentou-se em Cáceres o espetáculo de dança contemporânea Ninhos, para crianças grandes e pequenas. Logo de início surge a curiosidade. Que som é esse? De onde vêm?

Logo vemos pessoas saindo de todos os cantos, com cantos que mais parecem pássaros a brincar. A dança é uma revoada. Logo já não são pássaros, se transformam nos mais diversos bichos, mas sem pretensão de representá-los. Na verdade os movimentos são espontâneos e surgem coletivamente. Se juntam, separam, passeiam, dançam juntos, se preparam, atrapalham. Ora a dança é matilha, ora família, ora cadeia alimentar. Nada parecido com qualquer modelo de dança pré-existente.

“Vocês dançam livremente?” perguntou surpreso Gabriel, uma das crianças que participaram da oficina ministrada pela Balangandança no mesmo dia. É no mínimo curioso a forma como Gabriel reagiu durante a oficina.

A liberdade surpreende. Poder criar a partir de sua singularidade é inesperado, inédito. Afinal, desde a primeira infância a criança é tolhida. “Não” é a palavra mais ouvida. “Bagunçar” é proibido. Já, em Ninhos, aquilo que normalmente é tido como bagunça, é processo. Processo de investigação, descoberta, criação e invenção de movimentos autônomos, autorais e autênticos. Sim, é possível dançar livremente. Assim como estudar, comer, brincar, se relacionar, também o é. Viver livremente é possível, mesmo sem bico, sem pena e sem asa.

Texto escrito para o blog Parágrafo Cerrado, a partir da programação do Festival Palco Giratório no interior de Mato Grosso

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