Proposição artística: “Cinzas ao solo” com  Alexandre Américo (RN)

Por Elka Victorino

Na busca pelo ancestral, em “Cinzas ao solo”, Alexandre Américo revela, por meio de uma dimensão expressiva, memórias que o habita, de sua existência. O corpo do intérprete bailarino se transforma no próprio signo, com ações corporais orgânicas, que trazem para a cena, algo que o habita sua profundeza.

No palco coberto por cinzas, a dança exuberante de Alexandre nos permite devorar seus movimentos, com a sensação de estarmos em comunhão com seu percurso criativo e seu próprio entendimento sobre a dança. O artista, ao se dobrar, curvar, girar, contorcer, é um portal que, simultaneamente, inscreve e interpreta, significa e é significado, veículo da memória de seu processo. As estruturas dos movimentos corporais, pensados em termos de espaço, tempo, fluência e peso, ou quais sejam os fatores, exploram uma sensibilidade sobre morte, vida, natureza e ancestralidade.

Está na carne, nas dobras do corpo e da pele, digerido e transformado em alimento, tudo aquilo que o bailarino experienciou, disponível na cena, gerando potência para sua dança, que a cada gesto, a cada escolha de coerência de movimento, segue devorando o mundo.

Texto escrito para o blog Parágrafo Cerrado, a partir da programação do Festival Palco Giratório no período de 04/05/2017 a 27/05/2017, no Sesc Arsenal.

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