Proposição artística- INhamor- Thereza Helena- Cuiabá/MT

Por: Heidy Bello Medina

Foto- Lívia Viana
Crescer nos remete a vínculos profundos. Não somos desconectados de nada, crescemos para dentro e para fora, mas sem ter essa consciência. Cheia de expectativas entrei ontem na Casa Cuiabana. Fui muito bem recebida pelos anfitriões de “O Levante” e pelas minhas amigas com quem sonhava fazer de Cuiabá um melhor lugar para viver, mulheres admiráveis!
Desligamos os celulares e nos ligamos a atender o chamado de Thereza Helena, que cantando abriu as janelas da casa. Sua voz deu sinais de por onde devíamos ingressar. Primeiro foram sussurros e logo em seguida ela indicaria que as mulheres ficassem na frente da mesa. Thereza continuou cantando, sua voz não era somente alegre, mas se posicionou como símbolo de resistência. Foi um canto sobre amor, o amor que merecemos. Foi um chamado a ver com olhos bem abertos e sentidos dispostos que estamos na frente dessa luta.
O corpo é um território de poder. O corpo da mulher é, para além, um lugar de conflitos. A constituição de esse corpo não é autônoma, mas mediada pelas mais fortes relações de dominação. Inhamor conseguiu entrar nessa constelação de uma maneira sutil, mas vibrante. A receita para pensar o feminino foi belamente concebida, doses indicadas para nos pensar e amar. Depois de tudo, as mulheres somos resilientes.
A obra, ou melhor, o “encontro”, segundo Thereza, é uma construção metafórica profunda que liga a arte e a vida a partir de pequenos elementos capazes de nos fazer refletir sobre os padrões de beleza impostos pela sociedade e contrapostos com uma história tão real quanto cotidiana.

A cozinha de Thereza Helena foi um lugar de aromas e memória, a memória do corpo submetido. Sempre pensei que não era possível cozinhar sem amor e Thereza Helena o corroborou, libertou-se das pressões, do corpo estrangulado, deixar a descoberto a sua essência.
Depois de um gole de chá e de comer um pedaço de pão me senti em casa ouvindo as conversas das mulheres da minha família, tomando o café no domingo depois do almoço e confirmei, como disse Thereza Helena, realmente não estamos sozinhas, juntas nos alimentamos com amor e sabedoria.

 

Texto escrito para o blog Parágrafo Cerrado, a partir da 1ª temporada de teatro “O Levante”, no Centro Cultural Casa Cuiabana realizada no período de 31/03/2017 a   23/04/2017 .

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