Proposição artística: A MALA D’1 CIRCO – Grupo LimAcs

Por: Aline Wendpap

Em: 01.12.16

A proposta de um circo contemporâneo é atraente, mas ou mesmo tempo arriscada, dependendo dos lugares em que a lona é aberta.

Durante o 3º Festival Zé Bolo Flor de Teatro vários palhaços fizeram das praças seus picadeiros. Entretanto, diferentemente das praças dos bairros, aquelas centrais funcionam como zonas de experimentação, de expropriação, onde tudo é de todos e nada é de ninguém, assim nesse ritmo frenético, acontecem situações espantosas. Como a ocorrida quando duas garotas – desconhecidas entre si – convidadas a integrar a performance de Penólope P (a Mestre de Cerimônias do Festival) finalizaram a participação com um beijo fervoroso! Isso deixou a maioria dos presentes boquiabertos, num espanto coletivo, principalmente porque o espetáculo a seguir era infantil.

Todavia, não foi algo ruim, porque como lembra o poeta Ferreira Gullar, que acabou de nos deixar, “sem espanto não há poesia”. Partindo deste espanto inicial foi que as crianças e adultos imergiram na Mala D’ 1 Circo, numa interatividade tão verdadeira, que gerou um novo espetáculo certamente diferente do imaginado inicialmente. Em que o artista Altiery da companhia Limacs, precisou de ritmo, banana, água e muita disposição para seguir com o espetáculo no pique do público presente.

Mas cumpriu sua meta, com maestria, arrancando sorrisos e até angustia da plateia, em especial a infantil, num dos ápice da apresentação, que foi o malabarismo com facas. Além de inserir nos entremeios seu engajamento político, provando mais uma vez, que o artista não é um ser alienado em sua própria arte, por fim, ao ser provocado pelo público interator apresenta habilmente lições necessárias para a vida na sociedade contemporânea, dentre as quais destaco a ênfase dada por ele, para a união que precisa existir entre as pessoas. Deixando a lição de que a beleza da vida está mesmo nas pequenas coisas e ações, como numa menininha que devolve o mini guarda-chuvas do palhaço, mesmo sem ele se lembrar do objeto.

 

Texto escrito para o blog Parágrafo Cerrado, a partir da programação da 3ª edição do Festival Zé Bolo Flô, no período de 29/11/2016 a 06 /12/2016.

 

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