Proposição artística: Da Lama Nasce a Flor De Lótus – Millena Machado (Cuiabá/MT)

Por Elka Moura Victorino

Devir monstro ou devir mulher

O mito das criaturas híbridas representadas na mitologia grega, como um ser que contém o corpo de um peixe  e a delicadeza de uma mulher, esteve exposto, para um mar de jovens na Praça Alencastro, na pele da atriz/performer Millena Machado. O corpo de Millena, que foi se transformando de um estado de rigidez, para um estado de fluidez, despertou, no olhar do outro, o desejo de entender ou simplesmente experimentar – cada um a seu modo – essa forma de vida alheia.

Numa perspectiva panorâmica, foi possível captar um recorte específico, daquela presença cênica, que revelou o significado do próprio título do trabalho, fechar a porta para o sofrimento. Houve, na experiência do nascimento da flor de Lótus, um compartilhamento envolvente da sensação do desabrochar, a partir da originalidade das imagens performadas e não-espetacularizadas.

O corpo híbrido mulher-peixe, antes mulher-astronauta, permitiu um deslocamento do espectador para um lugar de reflexão, sobre o corpo no contemporâneo, suas potencialidades e diferenças, que por muitos, e muitas vezes são consideradas de corpos monstruosidades. Corpo estranho, corpo deformado, corpo monstruoso… copro sereia, que nasceu da lama, deixou de ser sufocado, para ser belo, como a Flor de Lótus, na pele de Millena Machado.

Texto escrito para o blog Parágrafo Cerrado , a partir da programação da 3ª edição do Festival Zé Bolo Flô, no período de 29/11/2016 a 06 /12/2016.

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